Opinião: Diogo Trindade

24 Maio, 2017

Hoje damos continuidade aos artigos de opinião com Diogo Trindade, o mentor da Lindinha Lucas Cerveja Artesanal e Trindade Xaropes e Refrigerantes.

Introdução

A Lindinha Lucas Cerveja Artesanal é a terceira cerveja a surgir no Porto, do Porto e, inicialmente, para o Porto e carregada do ADN desta cidade.

Surge naturalmente da união do gosto pelas boas cervejas nacionais e internacionais, com a vontade de criar um produto e marca que se destacassem tanto pela irreverência como pela simplicidade. Sempre quisemos cervejas simples, pensadas principalmente no público “não cervejeiro”, e que ainda está a dar os primeiros passos neste mundo. Não temos, nem queremos cervejas pensadas para os palatos exigentes dos outros cervejeiros e dos críticos profissionais que anualmente vão crescendo mais em número do que em bebida produzida.

Para nós, a Lindinha Lucas é uma pessoa, tem uma maneira de ser e de estar, tem vontades, cria empatias com uns e “ódios de estimação” com outros, gosta de festas e de estar com amigos, e gosta que a provoquem, que a admirem, mas que não a julguem.

Sobre o estado actual da cerveja artesanal em Portugal

Estamos, a nosso ver, num momento decisivo daquilo que será a profissionalização do sector, tanto para os maiores como para os mais pequenos produtores.

Já passamos a fase da banda de garagem, das panelas em casa de pais ou família, das bebidas mais ou menos falhadas e chegamos à altura em que o termo “artesanal” deixa de fazer sentido.

O que produzimos é cerveja, nem mais nem menos, e o que nos distingue das grandes marcas é sobretudo um conceito de pureza e qualidade das matérias-primas, uma vontade de criar cada vez melhores bebidas dentro da sua maior ou menor complexidade, e uma orientação férrea na satisfação do cliente como ser individual, com gosto distinto, e com vontade de adaptar a seu gosto a bebida ao momento.

Estamos na fase em que a nossa maior vantagem é o nosso tamanho face às grandes marcas ditas industriais. Essa pequenez permite-nos inovar, criar, inventar e desenvolver novas soluções e novas conjugações de sabores, ingredientes, meios e aparelhos.

Permite-nos também criar relacionamentos profissionais que se tornam amizades, parcerias, ajudas, e colaborações. A nosso ver, a desvantagem do nosso tamanho só surge quando nos vemos como ilhas, fechados no nosso autismo e no nosso casulo.

Estamos, repito, na melhor fase do sector cervejeiro, na fase em que todos os eventos são uma festa de amigos e é assim que nos vemos.

Por fim, a criação dos novos projectos industriais de grande porte para o sector são, por um lado, uma oportunidade de confirmação do conceito, mas por outro um perigo de excesso de industrialização que pode resultar no mesmo que se passou noutros países em que abundam as fábricas fechadas.

Perspectivas para o futuro

Como em todos os mercados também neste sector vamos assistir a um crescimento do número das marcas e cervejas até que o mercado se encarregará de definir aquelas que são fortes suficiente para subsistir. Por outro lado, se o processo anterior vai incidir nas maiores entre nós, as que têm fábrica própria, despesas fixas, custos mensais, por outro lado o micro produtor que fabrica por contracto noutras instalações vai tornar-se num parceiro cada vez mais querido e participante.

Como se diz em Portugal, o futuro a Deus pertence, mas o presente apresenta-se rico em oportunidades de crescimento e aprendizagem, e só isso vale todo o esforço, todos os obstáculos e todos os desafios.

– Diogo Trindade, Lindinha Lucas Cerveja Artesanal & Trindade Xaropes e Refrigerantes.



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