Astronauta Gomes – Relatorio #3 – Monkey Paw Brewing

11 Maio, 2017

Mal me sentei e encostei os ombros no bar o Justin disse Olá e perguntou-me como me sentia. Respondi o costume da cortesia Californiana e de seguida ele disse-me que hoje é um dia especial.

O espaço é amplo com um bar extenso e uma longa mesa de madeira maciça ao estilo da Bavária. Miles Davis toca na Juke Box.  Encontrei o local porque como é costume, pergunto nas cervejeiras onde vou, onde eles relaxam nos dias de folga ou onde vão depois do trabalho. Vários locais mencionaram a Monkey Paw Brewing como o sítio de referência em S. Diego. Boa cerveja e boa gente. Pareceu-me uma boa combinação e depois de jantar passei por lá.

Porque é hoje uma noite especial, perguntei eu ao Justin e ele respondeu que o cervejeiro mestre se vai mudar amanhã para Copenhaga e começar lá uma nova micro-cervejeira. O novo mestre cervejeiro residente começou em Janeiro e já tem medalhas ganhas com duas das suas receitas.

Vamos lá provar essas medalhas: comecei com a Lab Monkey, uma IPA de 6.5% exclusivamente com Simcoe. Deliciosa, leve no malte e com o aroma e sabor que uma boa IPA Californiana deve ter. O local é também conhecido pela boa comida e pelo sim pelo não, pedi um cheesesteak Dirty Monkey para me acompanhar na prova das cervejas locais. Como por cá se diz: Yummy!

Meti um dólar na juke box para manter a malta contente e escolhi Tom Waits, The Kinks e … Velvet Underground. Sim, as barbas brancas não enganam ninguém.

Depois de uma IPA com Simcoe é preciso escolher bem. Hess Solis #69 com 7.5% foi a cerveja que o Justin me aconselhou. Mais frutada e diversa no palato que a anterior. Depois bebi a Beat LA, outra IPA com todo o espírito de San Diego. Muitos lúpulos e um corpo bem equilibrado.

O amigo Bowie canta “Changes” através da jukebox. Por aqui servem-se cervejas de outras cervejeiras, vinhos e cocktails. A luta contra as cervejeiras gigantes é promovida nas paredes com o lema “We make good beer because we care! Know where your money goes. Just say no to big beer” e nos nomes das cervejas: Beat LA, Rich Man’s, Satanic Chimp, etc.

O som das conversas sobrepõe-se à JukeBox que agora toca “Purple Haze” do mestre Hendrix que eu selecionei. Gargalhadas mantém o ritmo da sala e o Justin, debruçado sobre o bar, vai falando com os clientes. Quando volta para falar comigo diz-me que brevemente vai ser votada uma proposta para manter os bares abertos 24 horas. O Justin gosta da ideia.

Em duas semanas a Anheuser-Busch vai abrir um tasting room da 10 Barrel no outro lado da rua e a Monkey Paw que não tem onde fazer maiores lotes de cerveja celebra as boas-vindas dos multi-milionários com a pint a $4 durante um mês. Apenas se encontram as cervejas que eles produzem no local de produção. E há orgulho nisso.

Mais prédios estão a ser construidos para habitação social e a vizinhança terá menos sem abrigos e a comunidade local será mais feliz. Pelo menos essa é a esperança que vive nos sorrisos dos convivas que brindam à minha volta.

A Rich Man double IPA que eu quis guardar para o final da prova esgotou há meia hora e terei de voltar para a saborear. Afinal convém deixar um desejo por realizar. Assim fiz, nunca esquecer que é preciso ter cuidado com o que se deseja. This Monkey Gone to Heaven.

Obrigado Justin. Obrigado San Diego e até breve.



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