Estilo da Semana: Old Ale

1 Abril, 2017

Esta semana vamos abordar o estilo Old Ale (BJCP 2015 – 17B). Uma ale de teor alcoólico moderado a medianamente significativo, maior do que as cervejas correntes, embora não tão forte ou rico como nas Barleywine. Muitas vezes inclinada para um equilíbrio a malte. “Deve ser uma cerveja que aquece, do tipo que é melhor desfrutada em meios “pints”, ao pé de uma lareira numa noite fria de inverno.” – Michael Jackson.

História

Historicamente, uma ale envelhecida e utilizada para combinações ou desfrutada na sua força máxima (os termos “stale” ou “stock” referem-se a cervejas que foram envelhecidas ou armazenadas durante um período significativo de tempo). Existem na Inglaterra dos dias de hoje, pelo menos dois tipos definitivos: à pressão e um pouco menos forte, similares a “milds” envelhecidas, de cerca de 4.5%; e as mais fortes, que possuem cerca de 6 a 8% de teor alcoólico, ou mais.

Aroma

Adocicado a malte com ésteres frutados, muitas vezes com uma mistura complexa de frutos secos, vínico, caramelo, melaço, avelãs, toffee e/ou outros aromas de malte de especialidade. São aceitáveis algumas notas a álcool e oxidação, tais como aquelas encontradas em Xerez ou Porto. Aromas a lúpulo não estão usualmente presentes, devido a envelhecimento prolongado.

Aparência

Cor âmbar claro a castanho-rubi muito escuro (a maioria são bastante escuras). A idade e oxidação podem escurecer a cerveja ainda mais. Podem ser quase opacas (se não, devem ser límpidas). Espuma moderada a baixa, cremosa, de cor bronzeado claro, que pode ser adversamente afectada pelo álcool e idade.

Sabor

Carácter a malte médio a elevado, com uma complexidade voluptuosa, muitas das vezes com sabores a avelãs, caramelo e/ou similar a melaço. Sabores ligeiros a chocolate ou malte torrado são opcionais, mas não devem ser nunca proeminentes. O equilíbrio é, na maioria, adocicado a malte, mas podem ser bem lupuladas (a impressão de amargor muitas vezes depende do envelhecimento). São comuns ésteres frutados de intensidade moderada a elevada, e podem tomar um carácter a fruta seca ou vínico. O final pode variar de seco a algo doce. Envelhecimento prolongado pode contribuir com sabores oxidados, similares a um bom e velho Xerez, Porto ou Madeira. A força do álcool deve ser evidente, embora não dominar. Presença de diacetilo baixa a nenhuma. Algumas versões envelhecidas em barrica ou provenientes de combinações, podem apresentar um carácter láctico ou a Brettanomyces, mas é opcional e não deve ser muito forte. Qualquer acidez ou taninos do envelhecimento devem estar bem integrados e contribuir para a complexidade do sabor. Não devem providenciar uma experiência dominante.

Palato

Corpo médio a encorpado e mastigável, embora exemplos envelhecidos podem possuir um corpo mais baixo devido à atenuação continua ao longo do tempo. Uma sensação de calor é muitas vezes evidente e sempre bem-vinda. Carbonatação baixa a moderada, dependendo da idade e maturação. Pode estar presente uma ligeira acidez bem como alguns taninos, se envelhecida em barrica; ambos são opcionais.

Comentários

O carácter e presença alcoólica variam imensamente. A qualidade predominante que define este estilo é a impressão de idade, a qual se pode manifestar de diversas formas (complexidade, láctico, Brett, oxidação, couro, qualidade vinicas, etc.). Mesmo que estas qualidades sejam defeitos, se o carácter resultante da cerveja é agradavelmente bebível e complexo, então estas características são aceitáveis. Seja como for, estas características permitidas não podem transformar uma cerveja não bebível, como estando dentro do estilo. A Old Peculier é um tipo de cerveja bastante único, que é algo diferente das outras Old Ales.

Ingredientes Característicos

A composição varia, embora seja geralmente similar às British Strong Ales. O carácter envelhecido é o que defino o perfil final do estilo, o que vem mais do seu manuseamento do que fabrico. Pode ser envelhecida em barris, mas não deve possuir um carácter forte a madeira.

Comparação de Estilos

Simplificando, sobrepõem-se às British Strong Ales e à zona inferior das English Barleywines, mas sempre com uma qualidade envelhecida. A distinção entre uma Old Ale e uma Barleywine é algo arbitrária acima de 7% de álcool e, geralmente, significa que possui uma qualidade envelhecida mais presente (particularmente da madeira). As Barleywine tendem a desenvolver uma qualidade mais “madura”, enquanto que as Old Ale podem demonstrar mais qualidades a barril (láctico, Brett, vínico, etc.).

Alguns Exemplos Comerciais

Burton Bridge Olde Expensive, Gale’s Prize Old Ale, Greene King Strong Suffolk Ale, Marston Owd Roger, Theakston Old Peculier.



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