Estilo da Semana: English Barleywine

6 Fevereiro, 2017

O frio continua pelo que é necessário uma boa companhia. Desta feita a English Barleywine (BJCP 2015 – 17D). Trata-se de uma cerveja de Inglaterra, conhecida por ser uma montra de complexidade e riqueza de malte, com sabores intensos. É quase mastigável e rica de corpo, com álcool aconchegante e notas agradáveis a fruta ou lúpulo. Quando envelhecida (na própria garrafa), pode desenvolver sabores tipo Porto. Uma cerveja para beber com calma no inverno.

História

As “ales” fortes de diversas formulações, têm sido fabricadas há muito tempo em Inglaterra, sendo conhecidas por vários nomes. A barleywine moderna tem a sua origem na Bass No. 1, a qual foi a primeira a ser chamada “barleywine” em 1872. Estas eram cervejas escuras até que a Tennant (hoje Whitbread) produziu a Gold Label em 1951, uma barleywine dourada. Normalmente é a “ale” mais forte oferecida por uma cervejeira e, recentemente, muitos exemplos comerciais são agora denominados “vintage”, marcados com data e oferecidos como uma especialidade sazonal de inverno, de edição limitada. Este é o estilo da barleywine original que inspirou diversas variações na Bélgica, Estados Unidos e em todo o mundo.

Aroma

Muito rico e intenso a malte, muitas vezes com aromas tipo caramelo nas versões escuras, ou toffee mais claro nas versões mais pálidas. Pode conter frutados de intensidade moderada a forte, normalmente com um carácter a frutos escuros ou secos, particularmente nas versões escuras. O aroma a lúpulo pode variar de ténue a assertivo e é tipicamente floral, terroso ou tipo marmelada. Os aromas a álcool podem ser baixos a moderados, mas são suaves e arredondados. A intensidade destas notas podem ir desvanecendo com a idade. O aroma pode conter um carácter muito rico, incluindo pão, tostado, toffee e/ou notas a melaço. As versões envelhecidas podem apresentar uma qualidade a xerez, possivelmente vínica ou tipo Porto e normalmente aromas a malte mais atenuados.

Aparência

A cor pode variar entre dourado intenso a âmbar muito escuro ou mesmo castanho escuro (normalmente tem reflexos rubi, mas não deve ser opaca). Apresenta espuma de cor branco-sujo, de quantidade baixa a moderada, podendo apresentar baixa retenção. Pode ser turva com turvação de baixas temperaturas, mas normalmente clarifica com claridade boa a brilhante conforme aquece. A cor pode parecer apresentar grande profundidade, como se vista por uma lente de vidro grossa. A viscosidade do elevado teor alcoólico pode ser observável através da formação de “pernas”, quando a cerveja é rodada no copo.

Sabor

Sabores múltiplos a malte, de intensidade forte, intensa e complexa, que vão de pão, toffee e biscoito nas versões mais pálidas, até nozes, tostado intenso, caramelo escuro, e/ou melaço nas versões mais escuras. Doçura do malte moderada a elevada no palato, embora o final possa ser moderadamente doce a moderadamente seco (dependendo da idade). Pode conter alguns sabores a oxidação ou vínico, e normalmente devem ser evidentes sabores complexos a álcool. Os sabores frutados são moderados a medianamente elevados, muitas vezes com um carácter a fruta escura ou seca. O amargor do lúpulo pode variar de apenas o suficiente para equilibrar até uma presença firme; assim, o equilíbrio varia de maltado a algo amargo. As versões mais pálidas são normalmente mais amargas, melhor atenuadas e podem apresentar mais carácter a lúpulo do que as versões escuras. Contudo, todas as versões possuem equilíbrio para o malte. O sabor a lúpulo é baixo a moderadamente elevado de variedades inglesas, apresentando-se muitas vezes como floral, terroso ou tipo marmelada.

Palato

Encorpadas e quase “mastigáveis”, com uma textura aveludada (embora o corpo possa declinar com envelhecimento longo). Deve estar presente uma suave sensação de calor de álcool envelhecido. A carbonatação pode ser baixa a moderada, dependendo da idade e maturação.

Comentários

É a “ale” inglesa moderna mais rica e forte. O carácter destas ales pode mudar significativamente com o tempo; tanto as versões jovens como envelhecidas devem ser apreciadas pelo o que elas são. O perfil a malte pode variar imensamente; nem todos os exemplos terão todos os aromas e sabores possíveis. As variedades pálidas não terão os sabores a caramelo e a malte, nem tão pouco a frutos escuros secos – não se deve esperar sabores e aromas que são impossíveis em cervejas com aquela cor. Normalmente escritas como “Barley Wine” no Reino Unido e “Barleywine” nos EUA.

Ingredientes Característicos

Malte pale de elevada qualidade e bem modificado, deverá formar a espinha dorsal do cereal, com quantidades abundantes de maltes caramel. Maltes escuros devem ser usados com grande contenção, se de todo, uma vez que grande parte da cor provem de uma fervura longa. São usados tipicamente lúpulos ingleses tal como Northdown, Target, East Kent Goldings e Fuggles; e levedura de carácter Britânico.

Comparação de Estilos

Embora muitas vezes uma cerveja lupulada, as Barleywine inglesas possuem menos ênfase no carácter a lúpulo do que as American Barleywine, possuindo lúpulos ingleses. As versões inglesas podem ser mais escuras, mais maltadas, frutadas e apresentam sabores a malte mais ricos do que American Barleywines. Possuem alguma sobreposição com as British Old Ale na base do estilo, mas geralmente não possuem as qualidades vínicas da idade demonstrando, em vez disso, sinais mais maturados e elegantes.

Alguns Exemplos Comerciais

Adnams Tally-Ho, Burton Bridge Thomas Sykes Old Ale, Coniston No. 9 Barley Wine, Fuller’s Golden Pride, J.W. Lee’s Vintage Harvest Ale, Robinson’s Old Tom



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