Com as variedades crescentes de lúpulos, por vezes torna-se complicado encontrar aquela que vem estipulada …

Neste Fevereiro húmido e ainda fresco, vamos olhar para um estilo originário dos países do Báltico. A Baltic Porter (BJCP 2015 – 9C), apresenta, em regra, os sabores a malte reminiscentes de uma Porter Britânica e o torrado contido de uma Schwarzbier, mas com uma densidade inicial mais elevada (e maior teor alcoólico) do que ambas. É muito complexa, com sabores multi-facetados a malte a frutos escuros.
História
Uma cerveja tradicional e indígena dos países com costa no Mar Báltico, desenvolvida após ter sido estabelecida a exportação de Inglaterra de Stouts castanhas ou Imperiais. Historicamente de fermentação alta, muitas cervejeiras adaptaram as receitas para levedura de fermentação baixa para se enquadrar com o resto da sua produção.
Aroma
Doçura rica a malte contendo, em geral, caramelo, toffee, frutos secos, torrado intenso e/ou notas a alcaçuz. Perfis complexos a álcool e ésteres de intensidade moderada, sendo reminiscentes de ameixas, abrunhos, passas, cerejas ou groselha, ocasionalmente com uma qualidade vínica semelhante a Porto. Pode apresentar também algum carácter a malte escuro que se caracteriza por ser chocolate intenso, café ou melaço mas nunca queimado. Sem presença de lúpulo e sem acidez. Muito suave.
Aparência
Cor cobre avermelhado a castanho escuro opaco (e não preto). Espuma espessa e persistente, de cor bronzeada. Límpida, embora as versões escuras possam ser opacas.
Sabor
Tal como o aroma, tem uma doçura rica do malte com uma mistura complexa a malte intenso, ésteres a frutos secos e álcool. Possui um sabor torrado proeminente mas suave, semelhante a uma schwarzbier e que vai quase ao queimado (mas não o sendo). Complexa na boca e muito suave. Carácter limpo de lager. A prova inicia-se doce mas os sabores a maltes escuros dominam rapidamente, persistindo até ao final. Apenas ligeiramente seca, com um toque a café torrado ou alcaçuz no final da prova. O malte pode apresentar uma complexidade a caramelo, toffee, frutos secos, melaço e/ou alcaçuz. Ligeiras notas a groselha preta e frutos escuros. Amargor médio-baixo a médio, derivado do malte e lúpulo, apenas o suficiente para providenciar equilíbrio. O sabor a lúpulo ligeiro a especiarias, varia de nenhum a médio-baixo.
Palato
Geralmente bem encorpada e suave, com uma sensação de calor de álcool bem maturado. Carbonatação média a média-alta, aumentando ainda mais a sua sensação de textura na boca. Não se torna pesada na língua devida a este nível de carbonatação.
Comentários
Pode também ser descrita nos dia de hoje como uma Imperial Porter, embora versões altamente torradas ou lupuladas não são apropriadas para este estilo. A maioria das versões possuem entre 7 a 8.5% / vol. de álcool. As cervejeiras dinamarquesas muitas vezes referem-se a elas como Stouts, o que evidencia a sua linhagem histórica que remonta aos dias quando Porter era usado como um nome genérico para as Porter e Stout.
Ingredientes Característicos
Geralmente levedura de lager (ou fermentada a frio quando usada levedura de ale, tal como exigido nas versões fabricadas na Rússia). Malte chocolate ou black sem casca, sendo a base malte Munich ou Vienna. Lúpulo continental (tipo Saaz, tipicamente). Pode contar malte Crystal e/ou adjuntos. Maltes Brown ou Amber são comuns nas receitas históricas.
Comparação de Estilos
Muito menos torrada e mais suave do que uma Imperial Stout, tipicamente com menos álcool. Não possui as qualidades torradas das stouts em geral, adoptando as características torradas-mas-não-queimadas de uma Schwarzbier. Bastante frutada quando comparada com outras porters. Com mais álcool do que as outras porters.
Alguns Exemplos Comerciais
Aldaris Porteris, Baltika #6 Porter, Devils Backbone Danzig, Okocim Porter, Sinebrychoff Porter, Zywiec Porter