Com a Primavera a entrar em força, esta semana vamos falar sobre o refrescante estilo …

Como o frio não vai embora, esta semana continuamos com um estilo de cerveja com bastante calor interior e proveniente da Bélgica, a Belgian Golden Strong Ale (BJCP 2015 – 25C). É uma ale Belga, pálida, complexa, efervescente e forte, que se apresenta altamente atenuada e com mais notas frutadas e a lúpulo, em preferência a fenóis.
História
Desenvolvida originalmente pela cervejeira Moortgat depois da 1ª Grande Guerra, como uma resposta à crescente popularidade das Pilsner.
Aroma
Complexo com ésteres frutados significativos, aroma moderado a especiarias e baixo a moderado a álcool e lúpulo. Os ésteres são reminiscentes de fruta “clara”, tal como pêras, laranjas ou maçãs. Fenois moderados a moderadamente baixos a especiarias ou pimenta. Está presente diversas vezes um aroma perfumado e floral a lúpulo, de intensidade baixo a moderado, mas que se distingue. Os álcoois são suaves, apimentados / especiarias, perfumados e de intensidade baixa a moderada. Não é normal estarem presentes aromas a álcool demasiado “quente” ou a solvente. O carácter a malte é ténue e ligeiramente a cereal adocicado, podendo ser quase neutro.
Aparência
Cor amarelo a dourado médio. Boa claridade. Efervescente. Espuma branca, massiva, perene, quase tipo rocha e muitas vezes de bolha arredonda bem visível, que resulta na formação do característico laço Belga ao longo das paredes do copo, conforme esta vai desaparecendo.
Sabor
Uma casamento entre sabores a fruta, especiarias e álcool, suportados por um carácter suave a malte. Os ésteres são reminiscentes de pêras, laranjas ou maçãs. Os fenóis, de intensidade baixa a moderada, são de carácter apimentado. Muitas vezes está presente uma nota baixa a moderada a especiarias provenientes do lúpulo. Os álcoois são suaves e apimentados / especiarias e de intensidade baixa a moderada. O amargor é tipicamente médio a alto, devido a uma combinação de amargor de lúpulo e fenóis produzidos pela levedura. A carbonatação e amargor substancial conduzem a um final seco e ligeiramente amargo a moderadamente amargo.
Palato
Muito altamente carbonatada e efervescente. Corpo leve a médio, embora mais leve do que a densidade substancial possa sugerir. Sensação suave de calor do álcool mas perceptível. Sem carácter a álcool demasiado “quente” ou a solvente.
Comentários
São feitas diversas referências ao diabo nos nomes de muitos exemplos comerciais destes estilo, em referência ao seu elevado teor alcoólico e como um tributo ao exemplo original (Duvel). Os melhores exemplos são complexos e delicados. A carbonatação elevada ajuda a realçar muitos dos sabores, bem como aumentar a percepção de um final seco. São tradicionalmente maturadas em garrafa (ou refermentadas na garrafa).
Ingredientes Característicos
Malte Pilsner com substanciais adjuntos açucarados. O lúpulo utilizado mais comum é do tipo Saazer ou Styrian Goldings. São utilizadas estirpes belgas de levedura, principalmente aquelas com maior tendência a produzir ésteres frutados, fenólicos apimentados e mais álcool, muitas vezes ajudadas por temperaturas de fermentação ligeiramente mais quentes. Água com relativa baixa dureza. A adição de especiarias não é tradicional, se presentes deverão ter um carácter de segundo plano apenas.
Comparação de Estilos
Muito semelhante a uma Tripel, mas pode ser mais pálida, com menos corpo e ainda mais seca; o final mais seco e corpo mais leve também servem para tornar mais assertivo o carácter a lúpulo e levedura. Com tendência para usar levedura que favorece o desenvolvimento de ésteres (particularmente fruta de pomo), em detrimento de equilíbrio a especiarias.
Alguns Exemplos Comerciais
Brigand, Delirium Tremens, Dulle Teve, Duvel, Judas, Lucifer, Piraat, Russian River Damnation