Estilos, Ingredientes e o BJCP

16 Novembro, 2016

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O Beer Judge Certification Program ou mais simplesmente BJCP, tem por principal objectivo estabelecer metodologias e formar juízes para avaliação de cerveja em competições. Aliado a isto, pretende também dar a conhecer a grande diversidade de estilos de cerveja, que se resumem nas suas Guidelines ou “linhas orientadoras”.

Estas linhas orientadoras servem de base comum para uma avaliação consistente por parte dos juízes certificados pelo programa, não sendo especificações rígidas de determinado estilo. Muitas traduzem características médias esperadas que, por exemplo, os estilos clássicos costumam apresentar. Características essas que começaram a ser recolhidas por Michael Jackson e que serviram de base a muitos dos estilos das actuais linhas orientadoras. Assim, como o próprio nome indica, as linhas orientadoras não são regra, existindo estilos onde é necessário permitir interpretações mais alargadas por parte dos juízes, como por exemplo nas British Strong Ale, ou nos estilos híbridos, entre outras.

Obviamente que nos estilos mais clássicos, por exemplo Munich Helles, não é normal estas cervejas possuírem notas frutadas mas isto não quer dizer que não possam ser feitas e enquadradas no BJCP. Existem estilos específicos para cervejas com adição de, por exemplo, fruta ou mesmo de estilos híbridos. O importante é que o mesmo seja seleccionado correctamente.

Em ambiente de competição e também na indicação do rótulo, esta selecção do estilo é ainda mais importante, primeiro para que a cerveja seja avaliada correctamente e, segundo, para não incutir confusão no consumidor. Se, de facto, existem adições, o estilo indicado deverá ser ajustado para reflectir este facto, com a respectiva menção no rótulo (obviamente se existir esse intuito).

Preconcepções que uma Saison tradicional inclui Brettanomyces ou que uma Double IPA deverá ser equilibrada com o malte caramelizado e/ou levar fruta, estão completamente erradas do ponto de vista do que uma cerveja destes estilos clássicos pretende ser. Em todo o caso, são variantes completamente válidas só que simplesmente não podem ser chamadas de Saison nem de Double IPA mas sim “Wild Ale” ou “Cervejas de Ervas, Especiarias e Fruta”, ou uma mistura entre os nomes. Isto, obviamente, em contexto BJCP pois cada um é livre de marcar os seus produtos como bem entende.

Como é compreensível, o mérito técnico de incutir a uma cerveja um travo demarcado a toranja, lima ou outros frutos tropicais, numa IPA (ou Double IPA) exclusivamente através da utilização de lúpulo, é completamente diferente da mesma cerveja fabricada com o recurso a infusões de fruta, além da adição de lúpulo. Obviamente que se o fabricante não declarar esta infusão no rótulo da sua cerveja, a mesma será tomada pelo indicado a menos que seja perceptível. O mesmo se poderá dizer que atingir determinada quantidade de álcool numa Doppelbock meramente pela utilização de malte, é completamente diferente se parte desse malte for substituído por outros açúcares menos complexos.

Assim e para aqueles que têm o interesse de basear as suas cervejas nas linhas orientadoras ou até mesmo para aqueles que desejam calibrar o seu palato para provas treinadas, é importante primeiro do que tudo, ler as mesmas. Avaliar os parâmetros críticos, lista de ingredientes tradicionais e posteriormente comparar a cerveja produzida com estes.

O movimento mundial da cerveja artesanal está em constante evolução e mesmo mutação, tendo a ultima revisão às linhas orientadoras (publicada em 2015) reflectido um pouco isso, com a inclusão de vários estilos híbridos, a recuperação de estilos históricos e mesmo a criação de novas categorias. Ainda assim, as linhas orientadoras apesar de extensas, não cobrem todos os estilos existentes no planeta, apenas aqueles que são mais comuns.

Seja como for, a criatividade humana não tem limites e muito mais a criatividade dos cervejeiros, que cada vez mais necessitam de produtos diferenciados num mercado que continua em franco crescimento. Importa, assim, sublinhar que existe enquadramento para qualquer tipo de cerveja no actual BJCP, sendo possível que esta seja avaliada pelas mesmas metodologias e de forma consistente. Pois este é um dos objectivos do BJCP: avaliar a cerveja pelo que ela é, com todas as suas nuances técnicas bem como limitações físicas dos juízes, pondo de parte opiniões e crenças pessoais que deturpam a imparcialidade e adicionam ainda mais subjectividade. Esta é, também, uma das maiores valias do programa que é muito procurada pelos profissionais: o feedback técnico fornecido ao cervejeiro que permite evoluir e melhorar a qualidade dos seus produtos.

Obviamente que tudo isto é alcançado sem restringir a criatividade, pois é essa criatividade que torna todo este mundo da cerveja artesanal deveras interessante e recheado de surpresas.

Para aqueles que gostariam de embarcar em algo mais sério do que a mera prova ao final do dia, convidamos a uma leitura sobre qual o caminho a seguir, no link abaixo.

JUIZ BJCP OU SOMMELIER

Bem como uma pequena apresentação sobre esta temática:

APRESENTAÇÃO



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