Oktoberfestbier

30 Setembro, 2015
 A verdadeira Oktoberfestbier só é produzida por cervejeiras dentro dos limites da cidade de Munique na Alemanha. Estas são as únicas autorizadas a participar no Oktoberfest anual de Munique.

Apesar do seu nome, as cervejas Oktoberfest não são produzidas no Outono, na verdade derivam de cervejas fortes produzidas na Primavera, também chamadas Märzen. Estas Märzen eram mantidas em grutas ou caves com gelo para poderem ser consumidas durante o Verão. A cerveja que sobrava era consumida em Outubro, quando as novas cervejas produzidas com os grãos e lúpulo das nova colheita estavam prontas e precisavam de ser colocadas nos barris.

Assim, as Oktoberfestbiers eram cervejas maturadas e armazenadas por vários meses, resultando numa cerveja amber com um conteúdo alcoólico de 5-6%.

Há cerca de 500 anos atrás os mestres cervejeiros da Bavaria tinham dificuldade em controlar a qualidade dos seus produtos durante o verão, e ainda não conheciam a causa da degradação e acidificação das cervejas durante o Verão. Contudo, a experiência dizia-lhes que as cervejas produzidas de Outubro a Março apresentavam mais qualidade. Actualmente percebe-se o porquê deste ciclo, o rigoroso Inverno da região garantia que a maioria dos microrganismos estavam adormecidos ou mortos, e evitando assim a degradação das cervejas. Os mestres Bávaros encontraram uma estratégia muito simples para garantirem um fornecimento de boa cerveja na estação mais quente. As cervejeiras produziam o máximo possível de uma cerveja forte e lupulada por volta de Março, a Märzen-Bier em alemão. Estas cervejas apresentavam um corpo denso com um final acentuado a malte. As Märzen eram mantidas frescas durante o Verão em caves ou grutas, algumas com gelo do Inverno anterior. O teor alcoólico elevado, a elevada quantidade de lúpulo e as condições de armazenamento garantiam a qualidade da cerveja, e que ia melhorando até ao Outono. Estaria particularmente boa na fase final, em que o lúpulo tinha suavizado e o carácter do malte sobressaía. Contudo em Outubro, depois da colheita de cereais e lúpulo desse ano, as Märzen ainda disponíveis tinham de ser consumidas para que os preciosos barris estivessem livres para as novas cervejas. Se combinarmos a pressão nos bávaros para libertar os barris com a tendência para celebrar com cerveja, o resultado é o Oktoberfest.

Como quase todos os estilos medievais, a Märzen-Oktoberfest evolui com os avanços tecnológicos na produção de cerveja. A primeira grande alteração técnica aconteceu em 1841 pelas mãos dos mestres cervejeiros Grabriel Sedlmayr e Anton Dreher. Estes cavalheiros eram os proprietários da cervejeira Spaten, em Munich, e Dreher, em Viena, respectivamente. Ambos colaboraram para clarear a cor tradicional das Märzen com a adição de um novo malte, ligeiramente caramelizado mas ainda bastante claro – o que hoje é conhecido como malte Vienna. Por essa altura, Sedlmayr já utilizava unicamente levedura lager paras as suas Märzen. Dreher passou também a usar a mesma estirpe de levedura nas suas Märzen. Em Munique, a nova cerveja passou a ser comercializada como Märzen, mas com o slogan “produzida ao estilo de Viena”. Por sua vez em Viena, terra natal de Dreher, a cervja ganhou um nova e exclusiva designação, Vienna lager. Na verdade, o estilo de Viena foi mais uma questão de marketing do que uma verdadeira alteração no processo. Houve uma alteração da cor em relação ao que se fazia na época, mas Dreher e Sedlmayr produziam a sua cerveja pelo método tradicional de Munique, com particular ênfase na decocção, uso de maltes caramelizados, fervuras prolongadas, e longos períodos de lagering.

A Märzen ao “estilo de Viena” voltaria a ser alterada em 1871, quando a cervejeira Spaten introduziu um nova versão da sua Märzen no Oktoberfest desse ano, utilizando um malte ligeiramente mais escuro que o Vienna, o malte Munich. Esta nova cerveja passou a ser comercializada com o nome Oktoberfestbier, designação utilizada até hoje.

Com a introdução de novos métodocientíficos na produção de cerveja, como a refrigeração, manutenção de leveduras ou maltagem controlada, os mestres cervejeiros já não estavam limitados às estações mais frias. Assim, a produção de cervejas Märzen/Oktoberfestbier passou a realizada segundo o plano de cada cervejeira, sendo lançadas muitas vezes como edições especiais. As novas técnicas permitiram também reduzir o longo período de lagering, 5-6 meses, a que as cervejas deste estilo eram sujeitas. Actualmente, as cervejas com a designação Oktoberfestbier são sujeitas a este processo por 12-16 semanas, e as Märzen por um período de 6-8 semanas.

Ainda assim, há muito mais história por detrás deste estilo de cerveja e do festival que lhe deu o nome. O estilo de cerveja e o festival surgiram de acontecimentos relaxados, por volta do século XV. A cerveja era a bebida bávara de Verão e o festival a desculpa para acabar com a cerveja que existia no início do Outono. A grande transformação ocorreu a 12 de Outubro de 1810. Nessa data, o príncipe herdeiro da Bavaria, futuro rei Lugwig, casou com a princesa Therese of Saxony-Hildburghausen. De forma a permitir que o povo participasse das festividades, o casal real decidiu organizar uma grande cerimónia de casamento, em terrenos fora da cidade de Munique, e cerca de 40000 cidadãos aceitaram o convite. Esses terrenos receberam o nome de Theresienwiese ( ou prados de Therese), em honra da princesa. O príncipe decidiu que no aniversário da boda, todos os anos, se repetiriam as festividades. Até hoje o Oktoberfest de Munique se realiza neste local. Estranhamente, a principal atracção do Oktoberfest de 1810 foram corridas de cavalos e não cerveja, pois não havia nenhuma no local. Essa situação não se manteve por muito tempo, pois em 1814 o poeta Achim con Arnim conta que um grande número de tendas vendia cerveja e que os convivas podiam facilmente encher as tradicionais canecas de meio litro. As corridas de cavalos deixaram o programa mais tarde, e deram lugar a ainda mais tendas de cerveja. O festival passou a estender-se por vários dias.

Actualmente o Oktoberfest estende-se por várias semanas, período em que os prados de Therese são ocupados por tendas gigantescas com atracções musicais. Durante o evento, milhares de pessoas do mundo todo reúnem-se com um objectivo, beber os milhões de litros de cerveja disponível. O consumo de cerveja durante o Oktoberfest chega aos 30% de toda a cerveja produzida anualmente por todas cervejeiras de Munique. Contudo, a cerveja Oktoberfest já não é o estilo dominante do festival, tendo sido substituída pelo estilo Helles.

Tradução livre do site (http://www.germanbeerinstitute.com/Oktoberfestbier.html)


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